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Editorial

Jorge Alberto Serpa da Costa Rita


Editorial




Jorge Alberto
Serpa da Costa Rita

  O futuro da Autonomia dos Açores depende duma Agricultura forte e sustentável

A implementação da Autonomia dos Açores era um desejo antigo e constituiu uma oportunidade para o desenvolvimento da região, tendo permitido que os próprios Açorianos pudessem tomar as decisões que desejavam e pretendiam, de acordo com as necessidades locais, o que possibilitou até à atualidade, a ultrapassagem de algumas das lacunas existentes, e que eram um obstáculo ao crescimento da nossa região. 

A Autonomia tem evoluído desde o inicio, mas para que exista uma verdadeira Autonomia, a coesão económico-social da região tem de ser uma certeza, o que só acontece, se existirem setores económicos fortes capazes de sustentar e potenciar os recursos naturais das nossas ilhas, que como todos sabemos, são escassos e limitados, já que estamos sempre dependentes de vários fatores não controláveis, que tanto podem passar por condições meteorológicas adversas, ou por greves injustas e inexplicáveis que condicionam o funcionamento da economia, como foi a recente protagonizada pelos estivadores do porto de Lisboa. Esta é a nossa realidade e são as contrariedades que os Açorianos sabem que existem e que têm de saber enfrentar e ultrapassar.

Como é reconhecido por todos, a Agricultura Açoriana é a atividade económica com maior retorno para toda a sociedade, porque embora o turismo seja importante, as suas receitas não podem ser comparadas às do setor agrícola, que além de serem superiores, têm um impacto maior na sociedade.

Num período de dificuldade como este que o setor agrícola atravessa, nomeadamente, a fileira do leite, deve haver solidariedade de todos, devendo ser encontradas medidas capazes de ultrapassar esta fase difícil e conturbada para os agricultores, que devem continuar a ser resistentes e resilientes.

Sabemos que os produtores de leite apostaram na qualidade do leite e na melhoria do maneio das explorações e hoje este esforço e dedicação, está à vista de todos. A indústria precisa de valorizar ainda mais a excelência do nosso leite, enquanto a distribuição deve deixar de utilizar o leite, a preços baixos, como produto âncora, que só prejudicam o setor. O Governo Regional deve ser capaz de tomar medidas que complementem as políticas implementadas pela União Europeia e pelo Governo da República que foram escassas e insuficientes e que não têm em consideração, as nossas especificidades.

A Associação Agrícola de São Miguel sabe o caminho que o setor do leite deve tomar para que possa ser viável e por isso, continuaremos o nosso trabalho junto do Governo Regional, da República, de Bruxelas e todas as restantes entidades, porque o futuro da Autonomia dos Açores depende duma Agricultura forte e sustentável.


 
 
 
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