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O preço de leite não pode baixar com a sazonalidade




O presidente da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita, alerta que se as indústrias baixarem o preço do leite à produção na sazonalidade, os produtores poderão exportar genética e animais para fora da região, o que pode pôr em causa a produção de leite no futuro para as indústrias.

Em relação à estabulação permanente, Jorge Rita, defende que nos Açores os estábulos são exceção e não a regra já que a imagem de marca do arquipélago são os animais no pastoreio. Jorge Rita revela que os animais devem ser semi-estabulados em algumas épocas do ano, principalmente devido às condições climatéricas adversas ou à falta de alimento na pastagem, mas nunca uma estabulação definitiva, uma vez que os animais nas pastagens representam menos custos para as explorações, têm maior duração e menos problemas de sanidade

 

- Houve aumento do preço do leite à produção. É suficiente?

Jorge Rita - Não é suficiente, os custos de produção estão em alta como todos sabem. Sabemos a vida das indústrias e elas sabem que os custos têm vindo a subir de forma exponencial, estamos a falar concretamente na questão dos combustíveis, dos cereais e oleaginosas para rações, dos fertilizantes, dos juros e dificuldade de acesso ao crédito. O IRS e segurança social tiveram aumentos acentuados, com reflexos muito negativos no nosso rendimento. Por isso a indústria tem consciência que se está a fazer essas subidas é porque percebe que temos algumas dificuldades.

Registamos com agrado essas subidas e estamos convencidos que nos próximos tempos poderão acontecer mais subidas. Na parte da sazonalidade, é preciso que haja bom senso da indústria. Estamos esperançados que a Unileite, mais uma vez, tome uma posição firme e coerente com aquilo que têm sido os seus princípios como tem demonstrado ao longo dos últimos anos.

Estou convencido que a restante indústria terá de ter bom senso e equilíbrio em relação ao futuro do setor leiteiro na Região Autónoma dos Açores e concretamente na ilha de São Miguel. Quando todos os produtos que estão a ser transformados pela indústria têm escoamento, têm boa aceitação no mercado, têm sido reconhecidos com vários prémios e as próprias indústrias têm canalizado produtos para os vários mercados.

Mas se houver descida do preço do leite na sazonalidade, as indústrias não podem depois, responsabilizar-nos por qualquer medida que possamos tomar para minimizar os custos dos produtores e fazer com que haja falta de leite nos Açores, concretamente na ilha de São Miguel. Temos indústrias bem apetrechadas, muito bem apoiadas pelo governo regional, muito bem apoiadas pelo Quadro Comunitário de Apoio e basta ver o aproveitamento que tiveram desses mesmos apoios, e também queremos uma indústria que a montante olhe para os seus fornecedores, que são os produtores de leite, e tenha a consciência exata daquilo que tem de fazer em relação aos preços do leite para o futuro.

- Mas nos Açores o leite é mais bem pago que no continente?

J. R. - O preço do leite tem subido pela melhoria da qualidade do leite e isso é um grande mérito da produção. A nível nacional, de forma drástica tem havido descidas e os produtores de leite do continente estão a braços com uma falência eminente de quase toda a produção leiteira nacional.

A comparação com o continente é sempre subjetiva mas é bom que se faça uma comparação de forma realista. Porque nós estamos próximos do leite do continente, mas pela baixa e pela situação dramática que os produtores do continente vivem e não pela nossa situação muito favorável. As condições que existem na região em termos custos de produção versus receita pelo leite, ainda estamos numa situação muito difícil de sobreviver nos próximos tempos. Por isso houve alguns reajustamentos, uns mais justos que outros como a Insulac que aumentou o preço base para todos e que é uma forma correta de trabalhar.

Não podemos concordar com a Bel que até fez reajustamentos que não teve o efeito que desejávamos e discriminando sempre os pequenos produtores, que é uma situação impensável. Porque os pequenos não têm absolutamente mais custos na recolha porque esta já está concentrada em postos de receção, portanto não é aceitável numa altura destas uma indústria multinacional, com produtos de grande aceitação nos mercados, continue a fazer uma discriminação negativa perante os pequenos produtores.

É importante que as indústrias, quer a Bel quer a Insulac, tenham o mesmo tratamento para todos os produtores.

Se baixarem o preço na sazonalidade, vamos ter grandes dificuldades no futuro e tomaremos decisões rápidas que poderão dificultar mais tarde a atividade das indústrias, porque temos de salvaguardar o rendimento dos agricultores, que poderá passar por via de escoamento maciço de novilhas para fora da região. Porque neste momento existe uma grande procura e temos tido o sentido de responsabilidade de saber que existe uma indústria que tem uma grande capacidade instalada. Todos temos de pensar que se produzirmos menos, a indústria vai ter dificuldades na sua viabilização, portanto tem de haver bom senso da parte da indústria. A sazonalidade não deve se aplicar nos próximos tempos, porque precisamos de subidas e não de baixas.

- A Associação Agrícola de São Miguel sempre foi muito crítica em relação à estabulação nos Açores, mantém essa posição?

J. R. - Não estamos contra os estábulos, estamos contra a estabulação definitiva dos animais nas explorações, aí é que não faz sentido. Ressalvando que pode haver alguns casos concretos e objetivos em que haja essa necessidade, não podemos delapidar um património interessante que temos, que é a nossa imagem de marca, que são as vacas na pastagem. Tudo o que vem para além da pastagem, quer ao nível de rações que são as únicas matérias-primas que importamos são produções regionais, ou seja, a nossa produção e alimento das vacas é quase toda produzida na região e isso é uma boa situação quer ao nível do leite quer da carne.

A estabulação permanente tem a ver com a dimensão das próprias explorações, dispersão das parcelas, localização geográfica e com a introdução de novas vias de comunicação terrestres, principalmente a nível de São Miguel e Terceira. 

O que temos dito há alguns anos, e mantemos essa posição, é que a estabulação permanente não pode ser regra, só pode ser exceção.

O que aceitamos para algumas explorações já dimensionadas é a semi estabulação onde existe uma necessidade premente, principalmente no Inverno em que as condições climatéricas são adversas, de aproveitar da melhor forma os alimentos que se utilizam, como milhos forrageiros, os rolos de ervas, em que os animais devem ser alimentados em parques, durante a ordenha. Mas os animais não permanecem nesses parques mais de 4 horas diárias, que é praticamente o tempo de alimentação em simultâneo com a ordenha.

Na região o que nos interessa é que as vacas pastem o máximo de tempo possível, donde vem a nossa vantagem comparativa em termos de custos na exploração e em termos de competitividade e eficiência das explorações, sendo essa a imagem de marca nos Açores. Hoje em dia a construção dos estábulos feitos com os parques de alimentação, são um mal necessário.

Nós temos sido bastante críticos em relação à estabulação definitiva mas conhecemos a realidade dos Açores, por isso há que salvaguardar algumas exceções. Mas os lavradores têm de ter consciência que os animais têm que estar mais tempo na pastagem por várias razões, que têm a ver com menos custos, maior duração dos animais, menos problemas de patas e de sanidade dos próprios animais. Todos sabemos que os custos são muito mais reduzidos ao contrário do que se possa pensar.

- Mas o governo apoia a estabulação, deve haver cuidado na atribuição de apoios?

J. R. -  Temos de ser mais rigorosos nos apoios do Quadro Comunitário de Apoio e restringir a estabulação permanente, salvaguardando algumas exceções que têm de ser bem fundamentadas. Os apoios devem incidir essencialmente nas explorações que têm de crescer, de forma sustentável, mas tendo como base a alimentação no pastoreio.

Os incentivos que o governo criou vindos de Bruxelas, fez com que muitos agricultores aderissem e acabassem por fazer investimentos em parques de alimentação na região, numas ilhas mais do que outras, principalmente na Terceira.

Assim, temos de ter algum cuidado na estabulação permanente e não podemos nem devemos imitar alguns modelos que existem noutros países que alterem a nossa realidade.



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