Genética pode aumentar produção e rentabilidade na bovinicultura leiteira | Informações Técnicas


A melhoria genética dos efetivos bovinos pode contribuir para aumentar a produção de leite, melhorar os sólidos e reforçar a rentabilidade das explorações leiteiras, através da seleção de animais mais eficientes e com maior produção vitalícia.

Estas foram algumas das ideias apresentadas no colóquio dedicado ao melhoramento genético na bovinicultura leiteira, promovido pela Associação Agrícola de São Miguel (AASM) em parceria com a Ascol Genetics, que decorreu no dia 10 de fevereiro, no Parque de Exposições de São Miguel, em Santana.

A iniciativa foi dirigida aos produtores da ilha de São Miguel, tendo sido abordado a "genética de vanguarda" da Ascol Genetics, o desenvolvimento de programas genéticos nas explorações e a apresentação dos touros previstos para 2026.

O orador do colóquio foi Juan Carlos Conde Garcia, geneticista da raça Holstein e responsável pela definição da estratégia de melhoramento genético e seleção de touros da Ascol, empresa sediada nas Astúrias, em Espanha.

Segundo o especialista, esta região apresenta semelhanças com os Açores ao nível da estrutura das explorações agrícolas, do número de animais por exploração e da orografia da paisagem.

Na apresentação, Juan Carlos Conde Garcia indicou que, nas Astúrias, a produção média de leite por vaca aos 305 dias é de 10.812 kg, com 3,88% de gordura e 3,35% de proteína. Referiu ainda que São Miguel apresenta valores próximos, apontando, no entanto, a produção de leite e de sólidos como aspetos com margem de melhoria.

De acordo com o especialista, uma das formas de aumentar a rentabilidade das explorações passa por vacas mais eficientes em termos produtivos e com menor taxa de refugo involuntário, o que permite aumentar a produção vitalícia por animal. Vacas que atinjam uma produção vitalícia próxima dos 40.000 kg de leite poderão contribuir para maior rentabilidade nas explorações.

Para alcançar estes objetivos, destacou a importância de animais com boa estrutura corporal, pernas e pés adequados e úberes com capacidade e correta inserção abdominal.

No âmbito da seleção genética, foi referida a importância de utilizar touros equilibrados e com melhoramento em vários parâmetros, sem atribuir peso excessivo ao valor final dos índices totais, como TPI, NM$, ICO ou ISU. Segundo o geneticista, touros que se destaquem em características com elevada herdabilidade tendem a proporcionar um progresso genético mais homogéneo.

Foi igualmente sublinhada a importância de desenvolver um programa genético em cada exploração. Esse processo deve começar com um levantamento das necessidades, seguido da seleção das mães, tendo em conta as respetivas famílias, e do cruzamento com touros que correspondam aos objetivos definidos. Quando necessário, pode ser implementado um programa de emparelhamentos para evitar consanguinidade.

Entre as práticas referidas para acelerar o progresso genético estão a realização de análises genómicas em animais selecionados como futuras mães, a utilização de sémen sexado, a introdução de novas famílias através da aquisição de animais ou embriões e a eliminação de animais cruzados ou de touros usados na cobrição natural.

Na sessão, foi também referido que não devem ser utilizados no programa genético touros portadores de haplótipos indesejáveis ou genes recessivos conhecidos, bem como animais com características negativas ao nível da produção de leite ou das pernas e dos pés.

Juan Carlos Conde Garcia indicou ainda que, num futuro próximo, as vacas da raça Holstein-Frísia poderão vir a ser maioritariamente mochas e portadoras do alelo A2A2. Nesse contexto, referiu que a utilização de touros mochos e portadores das variantes de caseína A2A2 e BB poderá ajudar os produtores a prepararem-se para responder a novas exigências do mercado.