Misturas de espécies e adaptação ao clima em destaque no Campo Experimental de Santana | Informações Técnicas


A adaptação das pastagens às condições dos Açores e a utilização de misturas de espécies foram alguns dos temas abordados por Manuel Laureano Santos, da Lusosem, durante o "Dia de Campo: Pastagens Resilientes".

A iniciativa decorreu no Campo Experimental de Santana e reuniu agricultores, técnicos e empresas ligadas ao setor.

Segundo o responsável, a realidade agrícola açoriana apresenta características próprias que exigem soluções específicas.

"É preciso primeiro pôr na cabeça que a realidade dos Açores não é a realidade do continente. Tanto em termos climáticos, como em termos de maneio, como em termos de gestão das vacas."

O técnico destacou ainda fatores como a inexistência de invernos rigorosos e os elevados níveis de humidade ao longo do ano.

"Outra característica dos Açores é que não têm invernos frios, e não ter invernos frios cria situações em termos fitossanitários diferentes."

Neste contexto, defendeu a adaptação das soluções técnicas à realidade regional.

"O catálogo que nós vamos desenvolver nos Açores não é o mesmo catálogo que vamos desenvolver no continente, porque a realidade é diferente e as coisas são diferentes."

Relativamente ao futuro das pastagens, apontou as misturas de espécies como uma das principais linhas de desenvolvimento.

"Eu acho que a questão das misturas vai ser uma questão importante, mais do que a questão propriamente de variedade por variedade."

Para Manuel Laureano Santos, a gestão das pastagens e dos animais continua igualmente a desempenhar um papel importante na produtividade das explorações.

"Entrada das vacas, saída das vacas, altura de corte, quando se corta, o que é que se faz. Portanto, o maneio da pastagem, que é um tema que muitas vezes as pessoas não valorizam o suficiente."

O responsável destacou ainda o trabalho desenvolvido pela Cooperativa União Agrícola através dos ensaios instalados em Santana.

"Estão a ser colocadas aqui para testar variedades que nós nunca no continente tivemos, e que ainda são pré-comerciais."

O técnico referiu também a continuidade de projetos de investigação e desenvolvimento ligados às pastagens.

"Já existe um projeto de três anos para azevéns perenes e tenho a certeza de que em relação a este projeto, dos azevéns anuais ou bianuais do campo de Santana, garantidamente as coisas vão continuar."