Fábrica de Rações Santana
A Nutrição ao Serviço da Lavoura

O presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA), Jorge Rita, demonstrou-se preocupado com a descida dos preços pagos aos produtores de leite e de carne, alertando para o impacto desta situação no rendimento e na sustentabilidade económica das explorações agrícolas. Só no setor leiteiro, a redução do preço pago à produção representa, este ano, menos 15 milhões de euros para os produtores de leite açorianos.
Em São Miguel, a Insulac e a Prolacto anunciaram reduções de 1,5 e 2 cêntimos por litro, respetivamente, ao preço base do leite, com efeitos em agosto, enquanto a Bel comunicou uma redução de 1,5 cêntimos por litro a partir de 1 de setembro. As descidas anunciadas pelas indústrias açorianas surgem na sequência da redução de 1,5 cêntimos por litro anunciada pela Lactogal para os produtores do continente, também com efeitos a 1 de agosto.
Para Jorge Rita, a sucessiva descida do preço do leite pago aos produtores nos Açores, ao longo do ano, é "preocupante e um duro golpe", comprometendo a confiança dos agricultores no setor.
"O produtor precisa de previsibilidade para gerir a sua exploração e cumprir os seus compromissos financeiros. Com sucessivas reduções do preço do leite, aquilo que se instala é um clima de incerteza que fragiliza todo o setor", afirmou.
O presidente da FAA alerta ainda que a redução do preço surge numa altura em que se antecipa um novo aumento dos custos de produção, associado ao contexto internacional e às condições climatéricas extremas registadas em vários países.
Jorge Rita recorda que o mercado dos produtos lácteos já atravessou períodos mais desfavoráveis e que existia a expectativa de uma melhoria, numa fase em que a produção de leite tende a diminuir e a cotação de alguns produtos lácteos tem vindo a recuperar. Neste contexto, considera particularmente difícil de compreender a pressão sobre o preço pago à produção.
O dirigente alerta também para as consequências que esta situação poderá ter na renovação do setor, nomeadamente através do abandono da atividade por parte de alguns produtores, da desmotivação de novos investimentos e do afastamento dos jovens da agricultura, num setor que enfrenta igualmente dificuldades ao nível da mão de obra.
Manifesta ainda solidariedade para com os produtores de leite biológico da ilha Terceira, na sequência do alerta lançado pela respetiva associação, que considera estar em risco a continuidade desta produção depois dos investimentos e das expectativas criadas junto dos agricultores.
Pressão também no setor da carne
A preocupação da FAA estende-se igualmente à produção de carne, perante a descida registada nos preços nos mercados internacionais, que está a exercer uma pressão acrescida sobre os produtores açorianos.
Para a FAA, a desvalorização do leite e da carne constitui um sinal negativo para o presente e para o futuro da agricultura açoriana, podendo comprometer a sustentabilidade das explorações e desmotivar quem continua a investir e a trabalhar diariamente no setor.
Perante este cenário, Jorge Rita defende que é necessário que sejam tomadas medidas para apoiar os agricultores, reforçando que os 23 milhões de euros da República, no âmbito dos apoios extraordinários relacionados com o aumento de custos decorrentes da guerra na Ucrânia, devem ser disponibilizados aos agricultores açorianos rapidamente, de forma a atenuar as dificuldades que o setor atravessa.