PREÇO DO LEITE SOB PRESSÃO - Jorge Rita alerta para riscos da descida do preço do leite | Agricultor 2000


O mês de fevereiro ficou marcado por sucessivos anúncios de descida no preço do leite pago ao produtor. A decisão da UNICOL de reduzir três cêntimos por litro aos produtores da Terceira e Graciosa motivou uma reação imediata da Federação Agrícola dos Açores (FAA). A medida, justificada com uma alegada "conjuntura adversa", não convence os produtores, atingindo "um valor de que não há memória". Em nota enviada à comunicação social, a FAA afirmou que esta medida "arrasa o esforço de investimento" por parte dos agricultores e dos jovens agricultores, que estão a recorrer ao PEPAC.

A Federação manifestou "a mais viva apreensão pelos efeitos que esta decisão, unilateral por parte da UNICOL, possa causar nas restantes ilhas, contaminando a restante indústria e lançando expetativas negativas sobre o sector."

Perante a situação, foi anunciada a proposta, junto do Governo Regional, de reconversão para mais três mil direitos de vacas aleitantes, na transferência de produção de leite para carne, que poderá abranger cerca de meia centena de produtores.

Dois dias depois, a 3 de fevereiro, a FAA solicitou uma reunião com o conselho de administração da UNICOL, em conjunto com a Associação Agrícola da Ilha Terceira, a Associação dos Jovens Agricultores Terceirenses e a Associação de Agricultores da Ilha Graciosa, com o objetivo de "discutir estratégias de mitigação e rever as tabelas de preços em vigor".

Na assembleia-geral do Centro Açoriano de Leite e Laticínios (CALL), a 11 de março, houve a oportunidade de discutir a situação do mercado dos laticínios e a evolução dos mercados nacional e internacional. As associações agrícolas expuseram as dificuldades sentidas pelos produtores, num contexto de descida do preço do leite e aumento dos custos de produção, que poderá colocar em risco a sustentabilidade da fileira.

Na reunião, que decorreu na sede da AASM, estiveram presentes a Associação Agrícola da Ilha Terceira (AAIT), o Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas (IAMA) e representantes das empresas Lactaçores, Insulac, Prolacto, BEL e PRONICOL.

 

BEL anuncia redução de dois cêntimos por litro

A 5 de fevereiro, a BEL anunciou redução de dois cêntimos por litro em São Miguel, bem como menos 0,25 cêntimos no leite frio do projeto Vacas Felizes, com efeito a partir do dia 1 de março. Para o presidente da AASM, Jorge Rita, esta decisão "penaliza severamente" os produtores e coloca em causa o espírito do projeto Vacas Felizes, que sublinha não ser um projeto exclusivo da BEL, mas de todos os produtores.

A AASM e a FAA alertam que num contexto de custos de produção elevados e de falta de mão-de-obra no setor, esta redução surge como mais um fator de instabilidade para as explorações agrícolas.

"Com condições como estas, torna-se muito difícil convencer os jovens a apostar na produção de leite. Falamos constantemente da necessidade de renovar o setor, mas depois é criado um cenário que afasta quem queira começar", afirmou, citado em nota de imprensa, referindo ainda que esta instabilidade afasta também quem quer e precisa de investir no setor.

O presidente da AASM e FAA realça que "os produtores dispõem de mecanismos de defesa, como a reconversão da produção de leite para carne e a redução voluntária da produção leiteira", acrescentando que "o leite poderá escassear e que a saída de produtores da atividade é uma consequência direta das opções tomadas pela indústria".

Refira-se que, no continente, a Lactogal reduziu igualmente três cêntimos por litro, com efeito a partir de 1 de janeiro de 2026. A FAA alerta que estas decisões podem gerar um efeito dominó e resultar na escassez de matéria-prima.

"Num contexto em que tudo aumenta e há falta de mão-de-obra, como pode a indústria justificar descidas no preço do leite pago a quem produz? Para onde quer levar os produtores?", questionou o dirigente.

Recorde-se ainda que as propostas de revisão da Política Agrícola Comum apontam para uma redução de 20% nas verbas do próximo Quadro Financeiro Europeu (2028-2034) e para a integração do POSEI num fundo de coesão gerido pelo Estado, com perda de autonomia regional.

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