Campos experimentais em Santana e Arrifes testam pastagens mais resistentes às alterações climáticas | Agricultor 2000


Os campos experimentais instalados em Santana e nos Arrifes estão a testar, há cerca de três anos, diferentes variedades de gramíneas e leguminosas forrageiras com o objetivo de identificar soluções de pastagem mais resistentes a doenças e mais resilientes aos efeitos das alterações climáticas, como a seca e a chuva intensa.

Em declarações ao Açoriano Oriental, o técnico responsável pela área da produção de culturas e fertilidade dos solos da Cooperativa União Agrícola, Nuno Dias, explicou que o principal objetivo destes ensaios é "encontrar pastagens resistentes às doenças, sobretudo às ferrugens, que atacam com frequência as gramíneas nos Açores, dadas as condições edafo-climáticas muito favoráveis à produção, mas também às doenças".

Segundo o técnico, os trabalhos em curso procuram definir a composição ideal de uma pastagem que combine melhor produção, maior persistência e resistência às doenças. Nos campos experimentais estão a ser avaliados fatores como a fertilidade, a capacidade de rebrote, a resistência ao pisoteio, a persistência das plantas e a sua sanidade.

A ferrugem continua a ser o maior desafio identificado. De acordo com Nuno Dias, muitas das variedades testadas não têm resistido a esta doença, muito associada à humidade e às temperaturas amenas que se fazem sentir ao longo do ano na Região. Ainda assim, já foi possível identificar algumas variedades com um desempenho promissor, sobretudo ao nível do rebrote e da persistência.

O responsável sublinha que a resistência às ferrugens é determinante, uma vez que "a sanidade das plantas permitirá também uma melhor tolerância a períodos mais secos ou mais húmidos".

Atualmente, algumas das espécies selecionadas nos ensaios já estão a ser testadas diretamente em explorações agrícolas, em articulação com produtores. O objetivo é avaliar o seu comportamento em contexto real de pastoreio e produção de forragem por corte, permitindo recolher dados concretos sobre persistência, rebrote e resistência ao pisoteio dos animais.

Questionado sobre o impacto das alterações climáticas nos custos de produção, Nuno Dias considera que, apesar de inevitáveis, esses efeitos podem ser mitigados. "Com boas pastagens, bem instaladas, bem geridas e adaptadas ao nosso clima, será possível reduzir significativamente o impacto das alterações climáticas e dar maior segurança aos produtores", afirmou ao Açoriano Oriental.

O engenheiro da Cooperativa União Agrícola defende ainda que a adaptação climática deixou de ser uma opção e passou a ser uma necessidade, salientando a importância de projetos como o Life IP Climaz, no qual estes campos experimentais estão integrados, no âmbito do Programa Regional para as Alterações Climáticas nos Açores.

Para Nuno Dias, a conjugação entre a investigação aplicada e o conhecimento prático dos agricultores permitirá desenvolver soluções mais sustentáveis, do ponto de vista ambiental, económico e social, garantindo a viabilidade futura das explorações agrícolas.

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